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	<title>Secos &#38; Molhados</title>
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		<title>Secos &#38; Molhados</title>
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		<title>Oxalá: an endangered word?</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Oct 2007 21:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kawina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde que comecei a aprender sobre a origem das palavras (no antigo &#8220;ginásio&#8221;, se me lembro bem), uma palavrinha que vem sempre me intrigando é oxalá, no sentido de &#8216;tomara que&#8217;. O significado original em árabe, dizia-me a professora, era &#8230; <a href="http://kawina.wordpress.com/2007/10/08/oxala-an-endangered-word/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=kawina.wordpress.com&amp;blog=1220880&amp;post=14&amp;subd=kawina&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que comecei a aprender sobre a origem das palavras (no antigo &#8220;ginásio&#8221;, se me lembro bem), uma palavrinha que vem sempre me intrigando é <em>oxalá</em>, no sentido de &#8216;tomara que&#8217;. O significado original em árabe, dizia-me a professora, era algo como &#8220;queira Alá&#8221;. Para que não me falhe a memória, vou citar o dicionário &#8212; e, como não tenho aqui comigo o Aurélio (ou qualquer outro dicionário decente de português), contento-me com o verbete do dicionário da Real Academia Española para o equivalente em espanhol:</p>
<blockquote><p><strong>¡ojalá!</strong> (Del ár. <em>wa-ša &#8216;Allah</em>, y quiera Dios.) interj. con que se denota vivo deseo de que suceda una cosa.</p></blockquote>
<p>O que me intrigava, e me intriga, é o seguinte. Como pôde esta palavra, originalmente muçulmana, resistir à Reconquista, sobreviver a Inquisição e até mesmo &#8212; feito ainda mais heróico &#8212; meter-se na nossa Bíblia? Sim, porque, ao contrário do espanhol, em português (brasileiro, pelo menos), tal palavra é puramente literária. E, entre os poucos textos acessíveis a um menino de ginásio no interior de Goiás, a Bíblia era certamente a que fazia uso mais abundante desta palavra.</p>
<p>Há uns poucos anos, porém, comecei a desconfiar que haveria uma conspiração contra esta palavrinha. Por exemplo, na última missa a que assisti (e isso faz um bom tempo), percebi que o padre sistematicamente a evitava, mesmo quando a dita cuja estava <em>impressa no roteiro da missa</em>. Agora minhas suspeitas se confirmam. Fuçando na internet, descobri um <a href="http://www.bibliaonline.com.br/">sítio</a> que permite comparar diferentes versões da Bíblia. Fazendo isto, percebi que a versão atual do texto protestante (de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ferreira_de_Almeida">João Ferreira de Almeida</a>) aboliu por completo o uso de <em>oxalá</em>, muito comum em versões anteriores. Como ilustração, basta comparar duas versões de Salmos 139:19:</p>
<blockquote><p>Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim. [1967]</p></blockquote>
<blockquote><p>Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue. [1994]</p></blockquote>
<p>Em princípio, pareceu-me que <em>oxalá</em> seria apenas mais uma vítima do modernismo lingüístico. Mas, notando que palavras ainda mais esdrúxulas e raras sobrevivem no texto atual (<em>galardão&#8230;</em>), desconfio que a razão seja mais sombria: evitar qualquer alusão, acidental que seja, a Oxalá, o orixá que, na umbanda, é &#8220;associado à criação do mundo e da espécie humana&#8221; (segundo a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxal%C3%A1">Wikipédia</a>). Eu, que tenho uma tremenda simpatia por palavras (como outras tradições humanas) ameaçadas pelo preconceito e a ignorância, torço pela sobrevivência desta heroína. Queira Oxalá (e Deus, e Alá) que <em>oxalá</em> perdure.</p>
<p><strong>Update, 1/jun/2008.</strong> Desde que me mudei para outro endereço (<a href="http://blog.etnolinguistica.org">http://blog.etnolinguistica.org</a>), este &#8220;post&#8221; está também disponível lá: <a href="http://blog.etnolinguistica.org/2007/10/oxal-endangered-word.html">http://blog.etnolinguistica.org/2007/10/oxal-endangered-word.html</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/kawina.wordpress.com/14/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/kawina.wordpress.com/14/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/kawina.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/kawina.wordpress.com/14/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=kawina.wordpress.com&amp;blog=1220880&amp;post=14&amp;subd=kawina&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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